Ela coloca de cabeça para baixo o pragmatismo, o imediatismo e o utilitarismo que presidem a cultura hegemônica: por um lado, coisas que parecem não ter sentido ou utilidade podem ganhar, graças à criação, uma existência privilegiada, prolongada ou não.
Por outro lado, coisas que parecem ser tão importantes para o funcionamento de algo podem ser substituídas ou cumprir outra função; por fim tais coisas são desafiadas a experimentar a esfera incerta, até que possam fazer parte de um brinquedo ou jogo, ou voltar a sê-lo.
Essa experiência restaura - ou, na maioria das vezes, instaura - uma relação com o que nos cerca marcada pela interação curiosa, exploratória e respeitosa, por meio da qual o sentimento de pertencimento e responsabilidade pelo universo é aguçado. Passamos a ver para sempre o mundo como um só e de todos.
Uma mudança de mentalidade em relação à natureza e ao lixo é uma das conseqüências disso, porque nos sentimos situados no universo: somos parte dele e ele é parte de nós. Ao mesmo tempo, a percepção do potencial dos objetos para uma constante transformação leva-nos a refletir sobre destruição e construção e, no limite, sobre a vida e a morte. Também as noções de velho e novo, geralmente tratadas de forma tão separada, sofrem um colapso: coisas velhas fazem coisas novas; coisas novas ficam velhas rapidamente; coisas velhas contam novidades; coisas novas contam coisas velhas.
Afinal, o que é velho e o que é novo?
O conceito habitual de sucata como lixo limpo deixa entrever nosso preconceito em relação ao lixo até as raias da negação do lixo que nós mesmos produzimos e a dificuldade de ver o quanto de nós está, inclusive, naquilo que desprezamos.
Reciclar, aproveitando materiais descartados por serem considerados imperfeitos ou incompletos, mais do que um meio de prover brinquedos em condições de uso, traduz uma postura, uma visão de mundo. Inventar e recuperar brinquedos ( e não só esses objetos, mas qualquer coisa) é uma manifestação criativa e que se transmite na ação educativa como parte do processo educador.
3 comentários:
Acredito que é hora de retomar e não esquecermos o que já foi feito com ideia de ser pioneiro... Uma retomada significa mais do que nunca um reconhecimento aos que ja fizeram até aqui, e uma certeza de caminhar no trilho certo... Pedimos Licença ao nosso companheiro Professor Eudes que foi um dos iniciantes desse blog, para darmos continuidade com todo o respeito ao seu trabalho inicial que deve ser preservado e valorizado aqui, e consequentemente servirar de arquivo histórico para a nossa Escola... vamos em frente...
Genial professor Bosco. Vamos que vamos com mais atividades que respeitam o mundo que nos foi dado para cuidar e estamos maltratando. Abraço fraterno!
Tava aqui lendo algumas das ações pedagógicas....
Excelentes iniciativas.
Concordo que a escola precisa reviver momentos como esses.
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