Exposição de 2005
Organizar exposições sempre rendeu bons resultados. Mais que aliados,os próprios artístas se transformam em verdadeiros parceiros do professor. Amigos que tiram dúvidas e sugerem aulas mais proveitosas. Além de abrir seus atêlies para as escolas, essas pessoas oferecem ajuda para entender melhor a arte. "Eu dei apoio a experiência", conta o artísta plático Rhasec.
Rhasec participou da 2ª exposição de artes plásticas intitulada O Artista na Escola realizada na Escola Municipal Professora Francisca Fernandes da rocha em Parnamirim no final de 2005. Auxiliado pelo professor de artes Eudes Garcia do turno vespertino.
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O artista modelando a argila
Rhasec apresenta as suas obras e abre espaço para a troca de idéias e de experiências com os alunos. "pretendo visitar escolas e cidades com a minha exposição", conta o artísta convidado.Na escola os contatos com a arte se realizaram durante a exposição, na parte da manhã, tarde e noite a pedido do artísta. A entrada dos alunos no espaço foi permitida em pequenos grupos de 15 para facilitar a organização.
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Exposição o Artista na Escola 2005
A idéia surgiu em 2004, segundo o professor Eudes, durante as próprias aulas que ia ministrando. No decorre dos bimestres as idéias que surgiam começaram a provocar uma nova atitude no Educador. Conta que 2004 foi o primeiro ano que lecionava na escola e não tinha muita experiência de sala de aula mas que com o passa do tempo foi percebendo que os alunos não estavam familiarizados com as obras de arte brasileiras.
Várias vezes precisava mostrar alguma obra sobre um artista mas ficava difícil trazer livros com exemplos visuais e a escola também não tinha esse material disponível na biblioteca. Quando conseguia o ônibus da prefeitura para os alunos visitarem exposições locais não dava para levar todos. Decidiu que era o momento de mudar essa realidade quando se aproximou a Feira da Ciência da escola. "Durante algumas atividades de pintura percebi que era o momento ideal para tentar montar uma exposição na escola. Vou trazer um artista para a escola" comenta o professor.
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Visitando a sala um dia antes
O resultado disso foi a montagem da exposição que recebeu o nome O Artista na Escola realizada durante a feira da ciência de 2004 e 2005. "Todos os alunos que participaram ficaram motivados com a idéia e a exposição ajudou a melhorar as aulas do ano seguinte, sem falar no retorno para a divulgação do nome e trabalho do artista" diz Eudes.
A Organização ficou por conta de Rhasec, de alguns alunos-monitores e do professor. Quem visitava a exposição recebia um crachá de visitante confeccionado especialmente para a exposição que era devolvido aos monitores ao sair. O primeiro momento de quem entrava era assistir a uma rápida apresentação em vídeo-cd sobre a vida do artista produzido pelo professor. E em alguns momentos especiais outros visitantes participavam de demonstrações de técnicas artísticas estudadas na sala de aula pelos alunos.
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Depoimentos dos alunos que auxiliaram no evento
O ponto principal da exposição foram as oficinas realizadas de escultura, pintura e desenho. O resultado desse trabalho pode ser conferido nos vídeos postados aqui para divulgação.
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Oficinas de escultura
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Exposição realizada em 2004 Quando observamos uma obra visual, podemos compreender que ela é resultado de um projeto inicial e de um trabalho de pesquisa e de composição em que os vários elementos se conjugam para provocar um determinado efeito final. Esse efeito tem um ritmo próprio, um movimento, uma harmonia especial que o observador reconhece ao analisar a obra.
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Alunos e professores apresentados ao trabalho do artísta plástico Rhasec
O trabalho foi desenvolvido na Escola Municipal Francisca Fernandes da Rocha, Parnamirim em 2004. Com objetivo de interagir o aluno ao meio artístico local e fazê-lo compreender os diversos âmbitos das artes visuais e suas maneiras de trabalhá-la.
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Visite o album de fotos da exposição
Foi tão bem aceito que em 2005 realizou-se uma 2ª exposição
O artísta plástico Rhasec realizou a exposição à convite do professor de artes Eudes Garcia: "Mediar e provocar o aluno a ter uma nova maneira de olhar as Artes Plásticas", diz o educador.
QUEM É RHASEC?
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Ateliê
Quem visita o Cemitério Morada da Paz, em Parnamirim-RN, depara-se com algo sui generis: uma exposição permanente de artes plásticas, na ala dos velórios, com peças que vão do sacro ao erótico. O responsável por esse trabalho é o artista Paulo César Gonçalves, 49, mais conhecido como Rhasec, César ao contrário, acrescido de um “h”, por sugestão da numerologia. O mais interessante é que Rhasec mora no próprio cemitério, onde mantém um ateliê e dá aulas de Educação Artística. Nesta entrevista, ele, que se considera o precursor da escultura em pedra-sabão no Estado, conta aos leitores de O Mossoroense sobre o seu processo de criação e os motivos que o levaram a se demitir do emprego de professor universitário e a se separar da família para viver de arte viva na casa dos mortos.
Cid Augusto
Repórter
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O artista Paulo César Gonçalves - Rhasec
Vamos começar pelo seu nome.
Meu nome é Paulo César Gonçalves, nome de batismo. Desde o princípio eu quis desenvolver uma assinatura artística, César, Gonçalves, até que comecei a assinar Rasec, César ao contrário. Há sete anos, acrescentei o “h”. Eu fiz numerologia e botei R-H-A-S-E-C, Rhasec. De vez em quando, chega um amigo de antes e diz “Paulo!”. Fica esquisito, vamos continuar com o Rhasec, que é marketing e eu quero fortalecer.
Você é professor de Artes.
Sou professor de Artes, formado pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), Educação Artística, especialidade em Artes Plásticas e Desenho. Fui instrutor e técnico do Senai até dez anos atrás, quando pedi as contas e me entreguei à arte. Me separei de tudo, da família, e vim pra cá (para o Cemitério Morada da Paz) desenvolver um trabalho de escultura em pedra-sabão, que é minha especialidade. Eu me considero precursor da pedra sabão no Estado, há 15 anos.
Você veio para o cemitério a fim de fazer escultura?
Para desenvolver a escultura. Hoje em dia eu desenvolvo a escultura e a pintura.
E a idéia da exposição no cemitério?
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Exposição permanente de artes plásticas, na ala dos velórios
Quando eu estava fazendo as esculturas – eu tenho 13 esculturas aí fora –, à noite, eu começava a pintar aqui e saía muito tarde, meia-noite, uma hora da manhã. E os meninos (os proprietários) disseram: “Vamos arrumar um lugar para você descansar”. Então eu fui ficando, fui trazendo minhas roupas, e no final das contas eu tenho uma suíte.
É uma situação curiosa.
Há um impacto cultural, até humorístico. Eu vim fazer escultura e acabei morando no cemitério. Uma idéia incrível: morar e trabalhar dentro de um cemitério, com a consciência de estar mudando costumes.
Como é que as pessoas recebem a sua arte? Elas vêm para um sepultamento e, de repente, se deparam com a exposição...
Há um impacto, positivo e negativo. O nosso objetivo é humanizar o espaço do Morada da Paz, o espaço do cemitério. Nós temos a idéia de que cemitério é aquela coisa tenebrosa, mórbida, de choro. Eu não vou dizer que não tem isso, principalmente com relação à saudade, mas quando as pessoas chegam e entram aqui, há um impacto, porque o lado emocional delas está abalado e a arte vem como se fosse um meio para amenizar aquele momento. Essa é uma parte positiva.
E a parte negativa?
O negativo, que eu nem sei se é negativo, é o impacto em si, porque as pessoas vêm com uma determinada idéia de cemitério, de encontrar tudo isso o que eu falei anteriormente, e quando chegam aqui encontram a paz, encontram a arte, encontram uma pessoa que, graças a Deus, sabe receber muito bem, dando até orientações espirituais. Eu estudo essa parte, tenho quadros que são muito místicos.
Quais as suas linhas de trabalho?
Eu tenho uma variedade de linhas de trabalho, o Abstracionismo, o Figurativo, o Paisagismo. Tô criando um estilo novo, Figurativo, porém bem característico meu. Então, existe o lado cômico, mas existe o lado filosófico e este é o que me prende mais.
A atmosfera do cemitério influencia no seu trabalho?
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Trabalho em alto relevo, de sete metros, “Tributo a Michelangelo
Influencia. Desde novo, eu desenvolvo um trabalho variado, mas há sempre uma tendência mística. Depois você vai ver trabalhos de pintura, até mesmo na escultura, no que se refere à parte sacra. “Reencontro”, por exemplo, é uma inspiração de pintura naquelas pessoas que dizem ter visto uma luz durante o coma. Outros trabalhos, como “A família” e “O profeta”, todos direcionados à parte religiosa. Eu trabalho também com o budismo, a mitologia greco-romana.
Você é um espiritualista...
Um espiritualista ecumênico.
Como você define as suas esculturas?
Minhas esculturas são figurativas, são adjetivas, não são abstratas. Aqui dentro são mais clássicas. Tenho um trabalho em alto relevo, de sete metros, “Tributo a Michelangelo”, com as duas mãos, a de Deus e a do homem. A minha primeira peça desenvolvida aqui tem o título de “Metamorfose”. Interessante: depois dela, minha vida mudou praticamente em tudo.
Onde você consegue a pedra-sabão?
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Eu comprei a primeira pedra em Lajes, mas essa pedra tem em várias localidades. Não é idêntica à de Minas Gerais, contudo, ela dá condições de fazer um trabalho bonito.
Rhasec, você é de onde?
De nascimento, sou paraibano de Campina Grande. Meus pais me trouxeram para cá bem novo. Passei a adolescência em Natal, depois estive em São Paulo, no Rio de Janeiro, voltei pra cá, entrei na universidade. Depois que me formei, ensinei na UnP...
E por que deixou o ensino?
Eu não quero me prender a instituições, porque isso aí vai castrar minha criatividade. Nessa disciplina de horário, você também se autodisciplina e fica metódico. Foi por isso que também deixei o Senai.
No cemitério você é contratado para fazer arte?
Interessante, eu não sou contratado, sou autônomo, aqui dentro mesmo. Tenho o apoio do Grupo Vila (empresa mantenedora do Morada da Paz). Fui contratado para fazer as peças e depois me cederam este espaço. Existe uma permuta entre eu estar aqui – a presença de um artista dentro de um cemitério é uma coisa sui generis – e as peças que eu tenho que fazer.
Você vive da arte?
Aos trancos e barrancos, mas vivo da arte. Sou uma pessoa comedida, não tenho vícios, sou embevecido pela arte e a última coisa em que eu penso é no dinheiro. O artista geralmente não é rico.
Quantos anos você tem?
Essa daí é ótima. Bem, eu sou de 1955, então completei 49 anos.
Tem medo da morte?
Não tenho medo da morte e sou muito curioso. Se eu tivesse oportunidade para ir ao outro lado e voltar, em troca de dois anos de minha vida, eu daria esses dois anos. Eu tenho uma ansiedade de saber. E pra que saber? Eu quero saber para colocar tudo isso na arte. Não tenho medo da morte, tenho medo do que eu preciso fazer aqui na vida, para que a morte não me pegue desprevenido.
Quais são os temas centrais do seu trabalho?
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Os meus estilos são dois, o clássico e o surrealista. O clássico porque todo artista que se preze tem de passar pelas escolas, principalmente a escola Clássica, onde você tem que venerar – eu digo mesmo essa palavra – os grandes ícones, como Michelangelo, Rafael, Leonardo da Vinci e tantos outros.
Quem é seu ídolo na pintura?
Na pintura é Salvador Dali.
E na escultura?
Na escultura eu sou aprendiz de feiticeiro de Michelangelo. Aqui em cima (apontando para o teto da sala) eu desenvolvi esse trabalho para passar a mesma dor que ele passava com o torcicolo, essa coisa toda.
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Qual é o título desse trabalho?
“Éden”, os jardins do Éden.
Que histórias interessantes você passou, pelo fato de morar no cemitério?
Recentemente fui ao banco e, em determinado momento, a pessoa teve que pedir meu endereço. Eu disse: “Ponha aí, Morada da Paz”. A menina olhou e perguntou: “Você está brincando?”. Respondi que não, que moro realmente no Morada da Paz. E ela: “Tá certo, qual o número do jazigo?”.
Conte outra.
Centro de Convenções, meia-noite, fim de uma feira onde eu estava expondo, e o meu carro com um pneu seco. Quando fui olhar o estepe, ele também estava baixo. Então vi um táxi: “Já sei, vou falar com o cara, o cara me empresta o estepe, boto no meu carro, ele vai atrás de mim, e eu pago a corrida”. A idéia era ótima, o taxista disse que dava para fazer, o carro era o mesmo. Quando ele perguntou aonde iríamos, que eu respondi “Para o Cemitério Morada da Paz”, o cara botou um baita olho pra mim: “O que, homem, você está brincando uma hora desta!”.
Parece história de assombração
Eu disse que estava vivo, me identifiquei, disse que pagaria um pouco mais, e o cara não veio mesmo. Outro taxista topou.
Quais os seus horários de trabalho?
Eu trabalho de 8 horas da manhã até uma, duas horas da madrugada, todos os dias, sem estresse. Gosto mais da noite porque fico sozinho. Gosto muito de estar sozinho.
Já lhe fizeram alguma encomenda estranha?
Não. Já me perguntaram se eu já vi alma, se eu já ouvi sussurros. Nunca vi nada de extraordinário. Digo muito que essa parte é psicológica, é cabeça, é cultural. O cemitério não é um espaço qualquer, é um lugar especial, porém, eu não estou apto a abrir essa porta. Eu sou muito sensível na parte das emoções.
Quer acrescentar algo?
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Exposição O Artísta na Escola realizada em 2004
Em 2005, pretendo visitar escolas e cidades com a minha exposição. A arte é um dos caminhos para se evitar a violência, trabalhar o ser humano, principalmente esse ser humano que fica de frente a uma TV. Eu não sou contra a mídia, sou contra programações que fazem do ser humano zumbi. E a arte muitas vezes é esquecida, principalmente na educação. Meu objetivo é fazer com que a arte seja mais trabalhada no dia-a-dia, seja valorizada, porque o artista é o cano de escape da sociedade. As pessoas adoram o artista, mas não ajudam a preservá-lo.
Mossoró-RN, sábado, 26 de abril de 20

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