terça-feira, 25 de novembro de 2008

(Re)criar brinquedos, reciclar a vida

A experiência com sucata, elementos da natureza e materiais aparentemente sem utilidade produz uma revolução na nossa relação com o meio ambiente, com o mundo, com os outros e com nós mesmos.
Ela coloca de cabeça para baixo o pragmatismo, o imediatismo e o utilitarismo que presidem a cultura hegemônica: por um lado, coisas que parecem não ter sentido ou utilidade podem ganhar, graças à criação, uma existência privilegiada, prolongada ou não.


Por outro lado, coisas que parecem ser tão importantes para o funcionamento de algo podem ser substituídas ou cumprir outra função; por fim tais coisas são desafiadas a experimentar a esfera incerta, até que possam fazer parte de um brinquedo ou jogo, ou voltar a sê-lo.


Essa experiência restaura - ou, na maioria das vezes, instaura - uma relação com o que nos cerca marcada pela interação curiosa, exploratória e respeitosa, por meio da qual o sentimento de pertencimento e responsabilidade pelo universo é aguçado. Passamos a ver para sempre o mundo como um só e de todos.

Uma mudança de mentalidade em relação à natureza e ao lixo é uma das conseqüências disso, porque nos sentimos situados no universo: somos parte dele e ele é parte de nós. Ao mesmo tempo, a percepção do potencial dos objetos para uma constante transformação leva-nos a refletir sobre destruição e construção e, no limite, sobre a vida e a morte. Também as noções de velho e novo, geralmente tratadas de forma tão separada, sofrem um colapso: coisas velhas fazem coisas novas; coisas novas ficam velhas rapidamente; coisas velhas contam novidades; coisas novas contam coisas velhas.

Afinal, o que é velho e o que é novo?

O conceito habitual de sucata como lixo limpo deixa entrever nosso preconceito em relação ao lixo até as raias da negação do lixo que nós mesmos produzimos e a dificuldade de ver o quanto de nós está, inclusive, naquilo que desprezamos.



Reciclar, aproveitando materiais descartados por serem considerados imperfeitos ou incompletos, mais do que um meio de prover brinquedos em condições de uso, traduz uma postura, uma visão de mundo. Inventar e recuperar brinquedos ( e não só esses objetos, mas qualquer coisa) é uma manifestação criativa e que se transmite na ação educativa como parte do processo educador.

domingo, 25 de maio de 2008

Visita a Galeria de Artes Plásticas - Lean

Antigamente, os artistas se formavam trabalhando nas oficinas de outros artistas, como ajudantes. Hoje, algumas pessoas se formam em escolas ou universidades especializadas em arte para se transformarem em artistas. Outras, sem qualquer formação sistemática (chamadas de autodidatas), começam a produzir arte e se dedicam a essa ocupação durante a vida toda. Tomam a arte como profissão. Alguns artistas conseguem tanto sucesso com o seu trabalho que ganham muito dinheiro. Outros passam a vida tentando vender os trabalhos sem conseguir, mas mesmo assim não abandonam a sua arte, pois o verdadeiro artista não pode viver sem sua forma de expressão.


Divulgação

Roberto Brennand é um artista especialista em vidro. Além de painéis, ele cria esculturas, móveis e instalações. Tudo com um estilo muito pessoal e que agrada ao primeiro olhar. O artista plástico Roberto Antônio Brennand é abstrato expressionista.

Divulgação
Autor de vários experimentos artísticos, utilizando como base tinta epóxi com poliaminas, pigmentação própria e poliuretânicos em alto relevo a frio. Esses materiais garantem qualidade e alta resistência às intempéries da natureza, podendo ser expostos em áreas internas e/ ou externas.
A arte abstrata de Roberto Brennand é muito interessante pela beleza e material que usa. Sua durabilidade, suas moléculas e textura. Uma arte de expressão atemporal e de extensão universal.

Divulgação

Foto: Estabeleçendo relações de significado com as formas e cores da pintura abstrata.


Divulgação

Foto: Chamando a atenção da moçada para a existência de parâmetros muito claros sobre a pertinência e juízo de valor acerca da pintura abstrata.

Divulgação

Foto: O artista plástico Roberto Antônio Brennand é abstrato expressionista. O valor de uma pintura não tem a ver com o seu grau de abstração, mas com a adequada realização de uma intenção artística.

Divulgação

Foto: O processo de abstração (sintetização das formas) existe em qualquer modo de representação.

Cada tipo de pintura é uma maneira de expressão da arte e nenhuma delas é melhor ou pior do que a outra - elas são apenas propostas diferentes que dependem da intenção do autor. Na pintura abstrata os artistas retratam de modo bastante livre o que vêem, simplificando formas: as laranjas podem virar círculos, as garrafas tornam-se retângulos ou triângulos. Tudo isso sem a precisão geométrica nem a utilização de réguas e esquadros.

DivulgaçãoFoto: Sensações ou inspiração no real?

Da mesma maneira, as cores não precisam ser idênticas às da realidade e as indicações de luz, sombra ou brilho podem ser apenas lembrados por manchas mais claras ou escuras. Cada obra pode ser a abstração de uma imagem, sentimento ou de si mesmo como expressão da arte.

Contato:
Galeria de Artes Plásticas Lean,
Estrada de Cajupiranga, 1489,
Bairro Liberdade
Parnamirim -RN
Telefones:
(84)3207-4830/9983-7773

Arte com sucata

Utilizando materiais de fácil acesso, sem gastar quase nada, os alunos da Escola Municipal Professora Francisca Fernandes da Rocha exercitaram a criatividade inventando seus próprios bonecos. A técnica, chamada empapelamento consiste em colar pedaços de papel sobre um objeto, que passa a ter uma nova utilidade.

Além de uma aula de Artes bastante lúdica e prazerosa, a atividade resultou em um instrumento para trabalhar a reflexão sobre poluição ambiental e coleta seletiva de lixo, uma vez que o trabalho foi feito basicamente com sucata e material reciclável.

Divulgação


Alunos reciclando sucata para criação de bonecos-2005

A Reciclagem, é entendida nos dias de hoje como uma necessidade para a solução de resíduos sólidos, do ponto de vista ambiental. Por esse motivo a escola deve estimular a reciclagem ao logo de todo o processo de formação da criança. Desde cedo recebendo estímulos de maneira efetiva por meio de atividades de referentes a reciclagem. Os alunos despertaram um compromisso: cidadão consciente do seu papel na sociedade.


O uso da sucata em trabalhos de construção de jogos e brinquedos é uma atividade que favorece a aprendizagem criadora e o desenvolvimento da imaginação e da fantasia infantil. Por meio dessa atividade, a criança pode satisfazer suas necessidades afetivas-emocionais, ao mesmo tempo em que vai se desenvolvendo no nível das habilidades motoras, da expressão, da interação social e da cognição.

Divulgação


O material utilizado na criação dos bonecos: garrafas pet de refrigerante ou de água mineral vazias, folhas de jornal, recipiente para a água, fita crepe, cola, papelão, tinta plástica de diversas cores, caneta e pincéis.

Outra proposta para o uso da sucata é cada aluno construir fantoches. A criança assimila mais o que diz o fantoche do que a fala dos adultos. Daí a necessidade do professor utilizar com frequência essa atividade na sua prática diária. Os materiais são: uma caixa de leite, jornal, cola, tinta acrílica ou guache, lápis ou caneta, tesoura, pincel, cola quente e pistola de aplicação e pedaço de tecidos. O trabalho leva três ou quatro aulas.

Durante a construção dos bonecos a atividade surpreendeu os alunos e o professor auxiliou na utilização do material. Todos ficaram livres para usar a criatividade e trabalhar a habilidade manual que possuem. Durante a Feira da Ciência os alunos foram convidados para participar de um teatrinho montado em uma classe. Depois do espetáculo, cada um levou o seu fantoche para casa.

Divulgação


Feira da Ciência - 2005. Fantoches de sucata.

O teatro é um componente artístico estimulador e desinibidor para a criança.

A apresentação do teatro pode acontecer em qualquer lugar e o fantoche pode ser um saco ou rolo de papel, um lenço, uma meia, uma bola, um lápis.

Divulgação

Foto: Feira da Ciência - 2005. Exposição dos trabalhos desenvolvidos em sala
A utilização criadora desses materiais de sucata possibilitou também explorar em sala de aula materiais diferentes dos tradicionais como: latas, garrafas, rolhas e papéis. Foram estimulados dessa forma, a autoconfiança, a socialização, a linguagem, a percepção e a imaginação.

quarta-feira, 28 de fevereiro de 2007

Entrevista com os alunos sobre o CEAT

Em 09 de novembro de 2006, foi criado a voz do estudante, jornal que entre vários assuntos importantes fez várias entrevistas com alunos e uma delas foi sobre o CEAT. Os entrevistados foram os alunos Klebson da 8ª série C e Deyselane da 6ª série C.

Com o aluno Klebson da 8ª série C.
A voz do Estudante: O que você achou do projeto ?
Klebson: Eu achei muito legal porque aprendi várias coisas e passei a gostar mais de ler.

A voz do Estudante:Quais os benefícios?
Klebson:Todos, porque no lugar deles estarem nas ruas eles estavam aprendendo e se divertindo.

A voz do Estudante: O que você mais gostou?
Klebson: mais da organização

A voz do Estudante: Se você pudesse faria novamente? Porque?
Klebson: Faria porque eu gostei dos professores e para aprender sobre os escritores potiguares.

Com a aluna Deyselane da 6ª série C.
A voz do Estudante: O que você achou do projeto?
Deyselane: Eu achei muito legal pois aprendi muitas coisas.

A voz do Estudante: Quais os benefícios?
Deyselane: Eu fiquei mais comportada. É muito bom para os alunos melhorarem o comportamento.

A voz do Estudante: O que você mais gostou?
Deyselane: de tudo.

A voz do Estudante: E o que você não gostou?
Deyselane: precisa de mais professores.

sexta-feira, 23 de fevereiro de 2007

O Escritor vai à Escola Pública

Foto: Abertura do projeto
Foi realizada na Escola Professora Francisca Fernandes da Rocha o o projeto o "Escritor vai à Escola Pública", desenvolvido pelo CEAT (Centro de Estudos para Ações Transformadoras), em 11 de março de 2006 teve a primeira etapa com o Curso de Capacitação de Educadores - Formação de Leitores em Literatura do Rio Grande do Norte, que teve início com o objetivo de possibilitar aos educadores o estudo e a compreensão de textos da literatura potiguar na concepção em educação de Paulo Freire em diálogo com a concepção de linguagem em Bakhtin, como meio de produção de conhecimento e de conscientização, considerando critérios relativos aos direitos humanos, identidade regional, cultural local e preservação do meio ambiente.

Exposição de Artes Plásticas na Escola

Divulgação


Exposição de 2005

Organizar exposições sempre rendeu bons resultados. Mais que aliados,os próprios artístas se transformam em verdadeiros parceiros do professor. Amigos que tiram dúvidas e sugerem aulas mais proveitosas. Além de abrir seus atêlies para as escolas, essas pessoas oferecem ajuda para entender melhor a arte. "Eu dei apoio a experiência", conta o artísta plático Rhasec.

Rhasec participou da 2ª exposição de artes plásticas intitulada O Artista na Escola realizada na Escola Municipal Professora Francisca Fernandes da rocha em Parnamirim no final de 2005. Auxiliado pelo professor de artes Eudes Garcia do turno vespertino.

Divulgação

O artista modelando a argila

Rhasec apresenta as suas obras e abre espaço para a troca de idéias e de experiências com os alunos. "pretendo visitar escolas e cidades com a minha exposição", conta o artísta convidado.

Na escola os contatos com a arte se realizaram durante a exposição, na parte da manhã, tarde e noite a pedido do artísta. A entrada dos alunos no espaço foi permitida em pequenos grupos de 15 para facilitar a organização.

Divulgação


Exposição o Artista na Escola 2005

A idéia surgiu em 2004, segundo o professor Eudes, durante as próprias aulas que ia ministrando. No decorre dos bimestres as idéias que surgiam começaram a provocar uma nova atitude no Educador. Conta que 2004 foi o primeiro ano que lecionava na escola e não tinha muita experiência de sala de aula mas que com o passa do tempo foi percebendo que os alunos não estavam familiarizados com as obras de arte brasileiras.

Várias vezes precisava mostrar alguma obra sobre um artista mas ficava difícil trazer livros com exemplos visuais e a escola também não tinha esse material disponível na biblioteca. Quando conseguia o ônibus da prefeitura para os alunos visitarem exposições locais não dava para levar todos. Decidiu que era o momento de mudar essa realidade quando se aproximou a Feira da Ciência da escola. "Durante algumas atividades de pintura percebi que era o momento ideal para tentar montar uma exposição na escola. Vou trazer um artista para a escola" comenta o professor.

Divulgação

Visitando a sala um dia antes

O resultado disso foi a montagem da exposição que recebeu o nome O Artista na Escola realizada durante a feira da ciência de 2004 e 2005. "Todos os alunos que participaram ficaram motivados com a idéia e a exposição ajudou a melhorar as aulas do ano seguinte, sem falar no retorno para a divulgação do nome e trabalho do artista" diz Eudes.

A Organização ficou por conta de Rhasec, de alguns alunos-monitores e do professor. Quem visitava a exposição recebia um crachá de visitante confeccionado especialmente para a exposição que era devolvido aos monitores ao sair. O primeiro momento de quem entrava era assistir a uma rápida apresentação em vídeo-cd sobre a vida do artista produzido pelo professor. E em alguns momentos especiais outros visitantes participavam de demonstrações de técnicas artísticas estudadas na sala de aula pelos alunos.

Divulgação

Depoimentos dos alunos que auxiliaram no evento

O ponto principal da exposição foram as oficinas realizadas de escultura, pintura e desenho. O resultado desse trabalho pode ser conferido nos vídeos postados aqui para divulgação.

Divulgação

Oficinas de escultura




Divulgação Exposição realizada em 2004

Quando observamos uma obra visual, podemos compreender que ela é resultado de um projeto inicial e de um trabalho de pesquisa e de composição em que os vários elementos se conjugam para provocar um determinado efeito final. Esse efeito tem um ritmo próprio, um movimento, uma harmonia especial que o observador reconhece ao analisar a obra.

Divulgação

Alunos e professores apresentados ao trabalho do artísta plástico Rhasec

O trabalho foi desenvolvido na Escola Municipal Francisca Fernandes da Rocha, Parnamirim em 2004. Com objetivo de interagir o aluno ao meio artístico local e fazê-lo compreender os diversos âmbitos das artes visuais e suas maneiras de trabalhá-la.

Divulgação

Visite o album de fotos da exposição

Foi tão bem aceito que em 2005 realizou-se uma 2ª exposição

O artísta plástico Rhasec realizou a exposição à convite do professor de artes Eudes Garcia: "Mediar e provocar o aluno a ter uma nova maneira de olhar as Artes Plásticas", diz o educador.


QUEM É RHASEC?

Divulgação

Ateliê

Quem visita o Cemitério Morada da Paz, em Parnamirim-RN, depara-se com algo sui generis: uma exposição permanente de artes plásticas, na ala dos velórios, com peças que vão do sacro ao erótico. O responsável por esse trabalho é o artista Paulo César Gonçalves, 49, mais conhecido como Rhasec, César ao contrário, acrescido de um “h”, por sugestão da numerologia. O mais interessante é que Rhasec mora no próprio cemitério, onde mantém um ateliê e dá aulas de Educação Artística. Nesta entrevista, ele, que se considera o precursor da escultura em pedra-sabão no Estado, conta aos leitores de O Mossoroense sobre o seu processo de criação e os motivos que o levaram a se demitir do emprego de professor universitário e a se separar da família para viver de arte viva na casa dos mortos.

Cid Augusto

Repórter

Divulgação O artista Paulo César Gonçalves - Rhasec

Vamos começar pelo seu nome.

Meu nome é Paulo César Gonçalves, nome de batismo. Desde o princípio eu quis desenvolver uma assinatura artística, César, Gonçalves, até que comecei a assinar Rasec, César ao contrário. Há sete anos, acrescentei o “h”. Eu fiz numerologia e botei R-H-A-S-E-C, Rhasec. De vez em quando, chega um amigo de antes e diz “Paulo!”. Fica esquisito, vamos continuar com o Rhasec, que é marketing e eu quero fortalecer.

Você é professor de Artes.

Sou professor de Artes, formado pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), Educação Artística, especialidade em Artes Plásticas e Desenho. Fui instrutor e técnico do Senai até dez anos atrás, quando pedi as contas e me entreguei à arte. Me separei de tudo, da família, e vim pra cá (para o Cemitério Morada da Paz) desenvolver um trabalho de escultura em pedra-sabão, que é minha especialidade. Eu me considero precursor da pedra sabão no Estado, há 15 anos.

Você veio para o cemitério a fim de fazer escultura?

Para desenvolver a escultura. Hoje em dia eu desenvolvo a escultura e a pintura.

E a idéia da exposição no cemitério?

Divulgação Exposição permanente de artes plásticas, na ala dos velórios

Quando eu estava fazendo as esculturas – eu tenho 13 esculturas aí fora –, à noite, eu começava a pintar aqui e saía muito tarde, meia-noite, uma hora da manhã. E os meninos (os proprietários) disseram: “Vamos arrumar um lugar para você descansar”. Então eu fui ficando, fui trazendo minhas roupas, e no final das contas eu tenho uma suíte.

É uma situação curiosa.

Há um impacto cultural, até humorístico. Eu vim fazer escultura e acabei morando no cemitério. Uma idéia incrível: morar e trabalhar dentro de um cemitério, com a consciência de estar mudando costumes.

Como é que as pessoas recebem a sua arte? Elas vêm para um sepultamento e, de repente, se deparam com a exposição...

Há um impacto, positivo e negativo. O nosso objetivo é humanizar o espaço do Morada da Paz, o espaço do cemitério. Nós temos a idéia de que cemitério é aquela coisa tenebrosa, mórbida, de choro. Eu não vou dizer que não tem isso, principalmente com relação à saudade, mas quando as pessoas chegam e entram aqui, há um impacto, porque o lado emocional delas está abalado e a arte vem como se fosse um meio para amenizar aquele momento. Essa é uma parte positiva.

E a parte negativa?

O negativo, que eu nem sei se é negativo, é o impacto em si, porque as pessoas vêm com uma determinada idéia de cemitério, de encontrar tudo isso o que eu falei anteriormente, e quando chegam aqui encontram a paz, encontram a arte, encontram uma pessoa que, graças a Deus, sabe receber muito bem, dando até orientações espirituais. Eu estudo essa parte, tenho quadros que são muito místicos.

Quais as suas linhas de trabalho?

Eu tenho uma variedade de linhas de trabalho, o Abstracionismo, o Figurativo, o Paisagismo. Tô criando um estilo novo, Figurativo, porém bem característico meu. Então, existe o lado cômico, mas existe o lado filosófico e este é o que me prende mais.

A atmosfera do cemitério influencia no seu trabalho?

Divulgação Trabalho em alto relevo, de sete metros, “Tributo a Michelangelo


Influencia. Desde novo, eu desenvolvo um trabalho variado, mas há sempre uma tendência mística. Depois você vai ver trabalhos de pintura, até mesmo na escultura, no que se refere à parte sacra. “Reencontro”, por exemplo, é uma inspiração de pintura naquelas pessoas que dizem ter visto uma luz durante o coma. Outros trabalhos, como “A família” e “O profeta”, todos direcionados à parte religiosa. Eu trabalho também com o budismo, a mitologia greco-romana.

Você é um espiritualista...

Um espiritualista ecumênico.

Como você define as suas esculturas?

Minhas esculturas são figurativas, são adjetivas, não são abstratas. Aqui dentro são mais clássicas. Tenho um trabalho em alto relevo, de sete metros, “Tributo a Michelangelo”, com as duas mãos, a de Deus e a do homem. A minha primeira peça desenvolvida aqui tem o título de “Metamorfose”. Interessante: depois dela, minha vida mudou praticamente em tudo.

Onde você consegue a pedra-sabão?

Divulgação
Eu comprei a primeira pedra em Lajes, mas essa pedra tem em várias localidades. Não é idêntica à de Minas Gerais, contudo, ela dá condições de fazer um trabalho bonito.

Rhasec, você é de onde?

De nascimento, sou paraibano de Campina Grande. Meus pais me trouxeram para cá bem novo. Passei a adolescência em Natal, depois estive em São Paulo, no Rio de Janeiro, voltei pra cá, entrei na universidade. Depois que me formei, ensinei na UnP...

E por que deixou o ensino?

Eu não quero me prender a instituições, porque isso aí vai castrar minha criatividade. Nessa disciplina de horário, você também se autodisciplina e fica metódico. Foi por isso que também deixei o Senai.

No cemitério você é contratado para fazer arte?

Interessante, eu não sou contratado, sou autônomo, aqui dentro mesmo. Tenho o apoio do Grupo Vila (empresa mantenedora do Morada da Paz). Fui contratado para fazer as peças e depois me cederam este espaço. Existe uma permuta entre eu estar aqui – a presença de um artista dentro de um cemitério é uma coisa sui generis – e as peças que eu tenho que fazer.

Você vive da arte?

Aos trancos e barrancos, mas vivo da arte. Sou uma pessoa comedida, não tenho vícios, sou embevecido pela arte e a última coisa em que eu penso é no dinheiro. O artista geralmente não é rico.

Quantos anos você tem?

Essa daí é ótima. Bem, eu sou de 1955, então completei 49 anos.

Tem medo da morte?

Não tenho medo da morte e sou muito curioso. Se eu tivesse oportunidade para ir ao outro lado e voltar, em troca de dois anos de minha vida, eu daria esses dois anos. Eu tenho uma ansiedade de saber. E pra que saber? Eu quero saber para colocar tudo isso na arte. Não tenho medo da morte, tenho medo do que eu preciso fazer aqui na vida, para que a morte não me pegue desprevenido.

Quais são os temas centrais do seu trabalho?

Divulgação
Os meus estilos são dois, o clássico e o surrealista. O clássico porque todo artista que se preze tem de passar pelas escolas, principalmente a escola Clássica, onde você tem que venerar – eu digo mesmo essa palavra – os grandes ícones, como Michelangelo, Rafael, Leonardo da Vinci e tantos outros.

Quem é seu ídolo na pintura?

Na pintura é Salvador Dali.

E na escultura?

Na escultura eu sou aprendiz de feiticeiro de Michelangelo. Aqui em cima (apontando para o teto da sala) eu desenvolvi esse trabalho para passar a mesma dor que ele passava com o torcicolo, essa coisa toda.

Divulgação

Qual é o título desse trabalho?


“Éden”, os jardins do Éden.


Que histórias interessantes você passou, pelo fato de morar no cemitério?

Recentemente fui ao banco e, em determinado momento, a pessoa teve que pedir meu endereço. Eu disse: “Ponha aí, Morada da Paz”. A menina olhou e perguntou: “Você está brincando?”. Respondi que não, que moro realmente no Morada da Paz. E ela: “Tá certo, qual o número do jazigo?”.

Conte outra.

Centro de Convenções, meia-noite, fim de uma feira onde eu estava expondo, e o meu carro com um pneu seco. Quando fui olhar o estepe, ele também estava baixo. Então vi um táxi: “Já sei, vou falar com o cara, o cara me empresta o estepe, boto no meu carro, ele vai atrás de mim, e eu pago a corrida”. A idéia era ótima, o taxista disse que dava para fazer, o carro era o mesmo. Quando ele perguntou aonde iríamos, que eu respondi “Para o Cemitério Morada da Paz”, o cara botou um baita olho pra mim: “O que, homem, você está brincando uma hora desta!”.

Parece história de assombração

Eu disse que estava vivo, me identifiquei, disse que pagaria um pouco mais, e o cara não veio mesmo. Outro taxista topou.

Quais os seus horários de trabalho?

Eu trabalho de 8 horas da manhã até uma, duas horas da madrugada, todos os dias, sem estresse. Gosto mais da noite porque fico sozinho. Gosto muito de estar sozinho.

Já lhe fizeram alguma encomenda estranha?

Não. Já me perguntaram se eu já vi alma, se eu já ouvi sussurros. Nunca vi nada de extraordinário. Digo muito que essa parte é psicológica, é cabeça, é cultural. O cemitério não é um espaço qualquer, é um lugar especial, porém, eu não estou apto a abrir essa porta. Eu sou muito sensível na parte das emoções.

Quer acrescentar algo?

Divulgação Exposição O Artísta na Escola realizada em 2004


Em 2005, pretendo visitar escolas e cidades com a minha exposição. A arte é um dos caminhos para se evitar a violência, trabalhar o ser humano, principalmente esse ser humano que fica de frente a uma TV. Eu não sou contra a mídia, sou contra programações que fazem do ser humano zumbi. E a arte muitas vezes é esquecida, principalmente na educação. Meu objetivo é fazer com que a arte seja mais trabalhada no dia-a-dia, seja valorizada, porque o artista é o cano de escape da sociedade. As pessoas adoram o artista, mas não ajudam a preservá-lo.

Mossoró-RN, sábado, 26 de abril de 20

Projeto Descobrindo o Semi-Árido

foto: Alunos e professores formando uma grande equipe.
Nossa atitude ao começar um projeto difícil é o que determina o resultado.

quarta-feira, 24 de maio de 2006

Foto: Viagem do projeto Descobrindo o Semi-Árido (Adutora Gerônimo Rosado)

Entrevista com a aluna da 8ª C (Géssica Cristina) produção do filme sobre a viagem de estudo.
Foto: Viagem do projeto Descobrindo o Semi-Árido (Olaria - Madeira para queima da cerâmica)
Contribuindo para a desertificação do semi-árido.

Entrevista com o aluno da 7ª A (Raul Marinho) produção do filme sobre a viagem de estudo.

quarta-feira, 10 de maio de 2006

Descobrindo o Semi-Árido


Foi discutido com os professores o roteiro do filme a ser rodado na viagem de estudo, incluindo a seleção de cenários, textos e diálogos a serem registrados na visita ao Semi-Árido.

Descobrindo o Semi-Árido


Reunião com professores e alunos para decidir o Material informativo, oriundo de pesquisa a ser elaborada pela SMUMA relativamente ao tema abordado, que subsidiará a confecção do manual por parte dos professores envolvidos no projeto.

Palestra sobre o Semi-Árido


Explanação sobre o Semi-Árido ministrada aos alunos e professores da Escola Municipal Professora Francisca Fernandes da Rocha.

quarta-feira, 26 de abril de 2006

Descobrindo o Semi-Árido


A Escola Municipal Professora Francisca Fernandes da Rocha está participando do projeto Descobrindo o Semi-Árido em parceria com a Secretaria Municipal de Urbanismo e Meio Ambiente.
Somos responsáveis pelo desenvolvimento da educação ambiental dos nossos alunos, buscando a discussão ambientalista quanto as questões referentes à Região do Semi-Árido do Rio Grande do Norte, notadamente aos processos de desertificação no Município de Açu, em decorrência da extração descontralada de madeira enquanto fonte energética da indústria cerâmista.